Crítica: A magia de volta em Animais Fantásticos e Onde Habitam

Assistimos, finalmente, Animais Fantásticos e Onde Habitam, e já estou ansioso para ir assistir de novo. O filme está incrível, não deixa nada a desejar, tem comédia, tem drama, tem aventura e muita, muita magia. Dessa vez o mundo mágico possui um novo protagonista, uma nova história, novas aventuras e novos enigmas. Newt Scamander, um mazoologista e ex-aluno de Hogwarts que está fazendo estudos sobre criaturas mágicas para ensinar as próximas gerações mágicas que criaturas não são perigosas e que é necessário protegê-las. A atuação do Eddie é sem dúvida alguma, muito boa, ele consegue reforçar duas características fortes de Newt. À primeira vista, vemos um Newt tímido e encabulado, tentando se manter no sigilo e deixar suas criaturas em segredo, por outro lado, quando ele está com suas criaturas, que por sinal estão incrivelmente bem trabalhadas nesse filme, ele é um tanto sem timidez, sem medo, sem aquela vergonha de se expressar com os animais. A proximidade e o amor que ele tem pelos animais é visivelmente física e mágica, é claro. Existe uma cena em que Newt se abre e se doa para se aproximar de uma criatura que fugiu da maleta, de início é uma cena engraçada, mas isso revela muito quem é Newt, e o quanto ele conhece e ama as criaturas mágicas, é lindo.

FANTASTIC BEASTS AND WHERE TO FIND THEM

No filme não faltam referências à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e cada semelhança que vemos é uma felicidade e tanto, os olhos chegam a brilhar. O que acontece é que Newt desembarca em Nova York em um período onde os bruxos americanos estão lutando contra a exposição de seus poderes para os no-majs, ou trouxas como conhecemos, além da ameaça de um bruxo que busca toda forma de poder para ser o bruxo mais poderoso, Gerard Grindelwald. Então temos duas culturas bruxas diferentes, com comportamentos e leis diferentes, temos aí Newt representando a cultura britânica, os ensinamentos de Hogwarts que já conhecemos e do outro lado temos a cultura americana, inclusive Queenie é a única que fala sobre Ilvermorny, o que é estranho. O filme poderia ter abordado mais a presença de uma escola de magia americana e não só citado em uma breve passagem.

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Seminviso, Pelúcio e Tronquilho.

No decorrer do filme, Newt apresenta algumas criaturas mágicas já conhecidas, catalogadas no livro Animais Fantásticos e Onde Habitam, aquele livro que é utilizado em algumas aulas de Hogwarts, o ápice desse momento é quando ele apresenta suas criaturas ao Jacob Kowalski dentro da maleta, é um momento muito mágico, é a parte que a gente pode notar que J. K. pode melhorar e expandir muito esse mundo mágico que conhecemos. O filme não deixa a desejar nos efeitos visuais e especiais, as criaturas são bem trabalhadas, eu achei incrível, o Pelúcio é maravilhoso, não possuem aquelas características notáveis de computação gráfica.

Durante todo o filme da franquia, a utilização de feitiços é de longe muito mais presente do que nos filmes da saga de Harry Potter, alguns muito conhecidos, o que nos leva até a sua utilização lá em Hogwarts, confesso que quando Newt usou Alohomora eu fiquei tipo “aaaaaah”, como na primeira vez que Hermione utiliza Alohomora para abrir a porta, ou mesmo quando Professor Gilderoy utiliza o Obliviate que acaba saindo pela culatra e volta para si fazendo-o perder a memória.

A parte engraçada do filme fica por conta do Sr. Kowalski, que sem dúvida alguma fez muita diferença. Ele é um trouxa, que, assim como eu, fica impressionado com cada coisa nova do mundo mágico que vai aparecendo. Jacob é eu, somos nós dentro do filme.

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Tina Goldstein (Khaterine Waterston), Newt Scamander (Eddie Redmayne), Queenie Goldstein (Alison Sudol) e Jacob Kowalski (Dan Fogler).

Uma coisa bem legal nesse filme e que se assemelha à Harry Potter é a proximidade dos personagens principais, Newt, Queenie e Tina, que são bruxos, mais Kowalski que é trouxa, se assemelha muito a Harry, Rony e Hermione. E o que diferencia é o figurino, coisa bem diferente do que era utilizado em Hogwarts, nesse filme eles exploraram mais os figurinos diversificados, mais clássicos e alguns mais chiques. Está tudo muito bonito, combina muito com o cenário da antiga Nova York. Falando nesse trio de bruxo, por mais que no início do filme Tina possa aparentar ser ‘contra’ Newt, depois ela começa a ver que Newt precisa dela para encontrar as criaturas que fugiram da maleta, ela é toda certinha, gosta das coisas no lugar certo, sabe das leis, tipo Hermione. Já Queenie, que é irmã da Tina – aaah Queenie – é doce, gentil e muito educada. Uma das características da Queenie é que ela é legilimente, ela pode ler mentes, e acaba descobrindo algumas coisas sobre Newt, que aliás, falando na vida do Newt, senti falta de uma apresentação maior sobre ele.

Além desses personagens, tem o Sr. Graves, diretor da segurança bruxa do MACUSA, o Ministério da Magia dos Estados Unidos. Vamos considerar que ele seja o vilão nesse filme. De início eu já criei uma certa raiva dele, pelo fato de que ele usa o Credence para obter o que ele quer, que não tem nada a ver com a segurança mágica dos Estados Unidos, ele literalmente se aproveita e engana o Credence. Mas no final do filme há uma revelação sobre o Sr. Graves que eu fiquei em choque, e isso explica o comportamento dele durante o filme.

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Percival Graves (Colin Farrell) e Credence Barebone (Ezra Miller)

E sobre o Credence? Ah gente, o Credence é sem dúvida o meu personagem favorito nesse primeiro filme, e fiquei muito feliz em saber que ele continua vivo e estará no segundo filme da franquia. O Credence é um bruxo que foi adotado por Mary, uma não-maj da comunidade dos Segundos Salém, um grupo anti-magia extremista que quer acabar com todos os bruxos. Credence é um garoto tímido de fala mansa, sempre na dele, até mexer com ele. O Graves se aproxima do Credence por conta de uns ataques envolvendo uma criança obscurial, que é uma criança que reprimiu ou tentou ignorar seus poderes mágicos por medo dos trouxas. Naquela época os bruxos eram queimados vivos e perseguidos por serem considerados aberrações e serem das trevas. Nem todos são assim, mas isso fez com que Credence se reprimisse, só que seu poder acabou se acumulando dentro de si e continuou crescendo. O obscurus é a força que funciona como parasita em um bruxo, por muitas vezes muda o comportamento do bruxo que ele parasita, fazendo-o perder o controle e acabar se manifestando contra alguém que de alguma forma sirva como ameaça, como foi o caso em que Credence matou a Mary, que era a mãe adotiva não-maj que batia nele com o próprio cinto, e o próprio Senador Americano Shaw que xingou a família de Credence.

O filme gira em torno de questões maiores que os Animais Fantásticos como o nome sugere. Na minha opinião é um excelente filme. Deixa a desejar quando não apresenta de forma mais clara quem é Newt Scamander, conhecemos muito pouco sobre o personagem no primeiro filme. Outra coisa que vale a pena falar é que o filme é cheio de outras inserções na história, como o próprio obscurus, quando esperávamos que fosse abordar mais questões como as criaturas mágicas, a fuga do Grindelwald ou mesmo a existência de uma Escola de Magia Americana, Ilvermorny. Mas o interessante mesmo é que há magia, e há muita magia, além de abordar assuntos atuais como racismo, intolerância religiosa, abuso, violência e repressão.

Espero que os próximos filmes da franquia esclareçam mais sobre quem é Newt Scamander, e o porquê Dumbledore gosta tanto dele, além de revelar sobre os novos personagens, como a própria Lita Lestrange.

animaisEnquanto 2018 não chega, vamos assistir novamente e de novo várias vezes.

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